quinta-feira, 13 de junho de 2013

Engano na picada!


 
 

Joaquim Marques Ó Silva lembras-te quando fomos fazer um reconhecimento na Maria Fernanda que o nosso Capitão Brito e Faro se enganou na picada aquele reconhecimento era só uma noite e tivemos que andar uma noite e um dia que tu te sentiste indisposto e regressaste ao quartel sozinho,pois nesse dia quando chegamos ao Quartel o Capitão mandou reunir a Companhia e nos deu um bate barbas


  • Manuel Do Souto Porque 1 bate barbas, se foi ele que se enganou.Eu tambem me recordo desse reconhecimento;mas contado por outros, muda de fisionomia.FORCA

  •  
    Manuel Do Souto Quando o Silva contar a operaçao kissonde,se se esquecer de alguma coisa,vou ajuda-lo;sobretudo,sobre a recuperaçao do ferido que tivemos;1 acidente;estupido, mas foi 1 acidente
     
     


    Manuel Silva Ó Marques lembro-me perfeitamente dessa situação ainda não estáva-mos muito longe da Fazenda Maria Fernanda e comecei a ter cólicas no estômago, ao ver-me queixar o Capitão procuro-me se éra capás de regressar á Maria Fernanda e eu com todas as dificuldades das dores de estômago a provocarem-me uma indisposição tremenda lá consegui sósinho fazer o regresso e ir para a enfermaria onde me deram uns cumprimidos para me aliviar as cólicas, aliás eu na Tropa fiquei arruinado do estômago e depois de acabar a vida Militar fartei-me de andar em médicos para me tratar desse problema que deve ter sido cauzado pelas porcarias que nos éram dadas para aguentar tudo, só consegui curar-me com um chá que me recomendaram numa érvanaria, ainda hoje me faz impressão pensar que num sitio daqueles fiz esse trajeto tão perigoso sem qualquer Camarada a acompanhar-me , mas éra assim, nós serviamos como carne para canhão.

    quarta-feira, 29 de maio de 2013

    Operação Quissonde


    Operação Quisonde:
    Espero conseguir dar umas tecladas para narrar a operação de maior duração que a nossa Companhia efetuou, peço desde já desculpa por algo que saia menos bem, mas não possuo dotes de escritor.
    Esta Operação denominada de Kissonde (nome de uma Formiga devastadora) foi uma operação com essa finalidade, devastar tudo que o inimigo possuía para alimento e abrigo, aos Militares que faziam o necessário combate juntava-se um grupo de Nativos que tinham como missão destruir todas as plantações com que o inimigo garantia a sua subsistência.
    A Operação Kissonde tinha uma duração de 45 dias, penso que seria assim para todas as Companhias intervenientes, à nossa Companhia coube faze-la do principio de Julho a meados de Agosto de 1966, a nossa intervenção foi executada na margem direita do Rio Dange se não estou em erro entre O Pirri e a Cunha e Irmãos.
    Saímos de Quicabo nosso Quartel viemos ao Caxito aqui entramos na estrada que ia para Ucua, Kitexe, passando á esquerda da Pedra Verde no sentido descrito e um não sei quantas Povoações situadas nas proximidades desta estrada eixo principal de ligação entre Luanda e Carmona, perto do Quitexe existia uma Fazenda denominada de Maria Manuela, foi nesta Fazenda que passa-mos um dia, para que pela noite dentro fazermos a aproximação e consequente travessia do Rio Dange, esta travessia tinha que se fazer em barcos pois não existiam pontes, o barco um Pneumático dos Fuzileiros Navais, fez esse transbordo, a 1ª viagem foi só uma secção dos Fuzileiros que a fizeram com Remos e se instalou na margem do Rio atando uma corda á ponta do barco que assim podia ser puxado de uma margem para a outra sem fazer barulho.
    Seguiu-se a travessia para a Nossa Companhia estes pneumáticos eram pequenos talvez levassem cerca de 15 pessoas de cada vez o que deve ter obrigado a mais de umas 10 travessias para colocar na margem do Rio todos os efetivos que iam executar esta Missão, estas travessias e como descrevi foram feitas no silencio da Noite, quando o pessoal estava todo na Margem direita do Rio os fuzileiros fizeram a travessia da sua secção para o ponto de partida e terminaram aí a sua Missão.
    Entretanto começava o amanhecer e já nós tinha-mos ocupado um Morro a uns 100 metros da margem do rio era um ponto mais elevado o que nos permitia uma melhor defesa, e tínhamos o Rio por perto que nos permitia abastecer de água, logo que se começou a ver tratámos de arranjar o que se denominava de PI ou seja um tipo de acampamento em circulo por forma a dominar-mos bem este espaço no caso de ataques, cada secção, encarregou-se de fazer o seu indispensável abrigo, cavando a terra por forma a que servisse de defesa e de cama ao mesmo tempo, o colchão como se imaginará, era o chão, para nos tapar usava-mos os panos de tenda que cada um possuía para estas eventualidades.
    Uma vez os necessários abrigos prontos passámos ao que nos levou a operação em si, e vai de seguir para os objetivos que tínhamos que destruir, nos primeiros dias.
    A Operação foi comandada pelo Coronel Totobola (é alcunha mas ele fazia questão de ser assim tratado) era um grande estratega Militar sabia colocar as forças necessárias no sitio certo por forma a poupar vidas, mas era um Homem incomodo a outros Comandos, e por isso substituíram-no por um outro comandante da Operação, pessoa a que nós Soldados pouco apreço demos Denominámo-Lo de O á Carga pois quando nos foi visitar ao PI para se apresentar como novo comandante de Operação ao chegar ao PI mandou 3 berros de à carga, na minha modesta qualidade de Praça bem como na dos meus camaradas não entendemos o significado de tal alocução, se era o grito de motivação perdeu o seu tempo pois a nossa motivação estava na Camaradagem e no esforço conjunto dos que fazíamos aquele sacrifício para executar tão difícil operação se possível sem qualquer baixa o que Graças A Deus foi possível.
    Mas a partir de que a operação foi executada sobre as ordens deste novo comandante começaram a existir mais problemas, provavelmente por deixar de existir um contingente de forças que operavam nas nossas alas e que encurralava o inimigo não lhe deixando espaço para se expor, sem essas forças no terreno o inimigo passou a ficar com campo para desferir os seus ataques, como estava-mos no meio da mata sem quartel por próximo para reabastecer, o material bélico ia-se reduzindo , e lembro-me de um ataque que o inimigo nos fez em determinado dia quando já estávamos de regresso ao PI, após um dia de destruições, e onde o inimigo tinha ocupado uma zona que lhe beneficiava as condições de ataque e ao qual nós só obteríamos resultados com o lançamento de Morteiros, Bazucas e Energas e lá enviamos todo esse fogo de que dispunha-mos mas tornou-se pouco e os tiros de espingarda seria só para gastar munições, foi então pedido pelo Alferes que Comandava a Companhia o apoio de uma secção de Morteiro pesado que estava estacionada no nosso PI com a finalidade de apoiar quando necessário, aqui o Oficial que estava a comandar e debaixo de fogo como todos nós deu as coordenadas corretas para onde nos deveriam mandar as respetivas Morteiradas, essa secção de Morteiros iniciou o envio de tais projeteis com uma precisão absoluta, só que cada morteirada ao fazer a propulsão provocava pequenos desvios na sapata de suporte do referido Morteiro, e eis que por desvio da base 3 morteiradas veem cair sobre a nossa posição uma delas vinha no ar e apercebo-nos que me vinha atingir a mim ao Joaquim Marques e ao Xico Magalhães só tivemos tempo de mandar um autentico voo para junto de um tronco de árvore que estava caído na nossa frente e assim podemos os três escapar ilesos deste morteiro já a mesma sorte não tiveram os Nativos que nos acompanhavam pois como não possuíam treino Militar ficaram em pé expostos aos estilhaços de tais Morteiradas tendo uma série de feridos alguns em estado muito grave.
    Tratou-se da evacuação desses feridos, não sei se algum terá Falecido, mas as Morteiradas que caíram no sitio certo fêz com que o inimigo levantasse a emboscada, e recolher ao seu refugio. Assim nós conseguimos fazer o regresso ao PI para fazermos a ultima refeição e proceder ao necessário descanso, estes dias eram todos vividos com grande azafama a e intensidade percorremos grandes distancias entre o PI e os locais objetivo destruição, creio que teremos ido da margem do rio, até á famosa Cunha e Irmãos zona de grande implantação do inimigo, como não bastasse a azafama do dia, durante a noite, e em cada secção estava sempre um de vigilância, quando um cumpria a sua hora, logo chamava o que estava a dormir ao lado, para que fizesse a sua parte de vigilante, fiz todas as noites a minha parte, bem como a de todos os meus Camaradas, depois era dormir naquela cama de terra batida mas o cansaço era tanto que até sobre pedras adormeciamos.
    Enquanto estávamos alerta na hora da vigilância, e posso falar por mim, muitos sustos passei porque na Mata havia animais que se movimentavam, e em especial ali perto dum Rio os animais ao passarem, faziam sempre algum barulho, o problema era sentir o mexer de qualquer coisa, e era necessário conter o medo e o nervosismo, para não desatar-mos a dar tiros á toa, aqui vem á nossa mente será animal? ou inimigo a procurar aproximar-se? mas havia que conter o medo, e redobrar a atenção, para procurar acalmar e distinguir a situação, felizmente nesses 45 dias não tivemos problemas no PI, a posição tinha sido bem escolhida e levaríamos sempre vantagem sobre o inimigo se ele tivesse essa ousadia, eles sabiam isso e lá fomos conseguindo passar os dias cumprindo a nossa missão como programada.
    Mas há sempre coisas negativas em operações com longa duração, a mesma roupa, as mesmas meias, o mesmo calçado. muito suor acumulado, fruto de um clima quente, como é o Norte de Angola.
    Proporcionava ao alojamento, especialmente aos pés apanhar certo tipo de micróbios e como ao destruir cubatas entrava-mos nelas para averiguar da sua utilização pelo inimigo apanhávamos facilmente nos pés as chamadas Matacanhas, um tipo de pulga minúscula, que se alojava na pele dos pés e desenvolvia um tipo dum pequeno ovo de pele mole que rapidamente crescia.
    Houve Camaradas que tinham mais de dez, em cada pé, eu casualmente só apanhei duas no mesmo pé, como já tinha apanhado com esta praga quando fomos para Quicabo, e aqui tive que me socorrer dum Nativo para mas tirar, pois os nossos Enfermeiros nem sabiam o que isso. Aprendi como proceder para retirar cada ovo sem que rasgasse a membrana deles porque aí a propagação seria pior e então vai de retirar as minhas, e as de muitos Camaradas, mas escusado é pensar tirar mais de dez em cada pé, sem causar alguns danos na carne dos pés, pois esta operação tinha que ser feita com a ponta de uma Navalha muito afiada, e escavar na carne envolta do ovo para o retirar direito, isto fazia com que ao ter muitas em cada pé, quem as tinha ficava com os pés numa chaga e lembro-me de pelo menos dois Camaradas, O Sequeira e O Margalhau aquém tirei tantas, que metia dó ver os seus pés, talvez por algum Superior ter alertado para este facto, uns dias antes de acabarmos a missão, foi um Médico ver-nos e deu-nos como incapazes de prosseguir a tarefa, e então nos últimos 2 ou três dias não saímos para as destruições, e ficamos no PI, á espera do dia que estava destinado para os Fuzileiros Navais, nos irem fazer o transporte de travessia do Rio, para dali virmos á Fazenda Maria Manuela e podermos iniciar o regresso a Quicabo.
    Peço desculpa pela falta de entrosamento no tempo, e na forma da descrição mas não sei fazer melhor, agradeço a todos que comigo viveram estas incidências, as possíveis correções.

       

    Emboscada Rio Cassai

     
     

     Cubata próximo do Rio Cassai,
    Em certa altura fomos fazer uma emboscada para as margens do Rio Cassai onde pressupostamente passaria um grupo do inimigo, mas provávelmente foi avisado da nossa posição e nada encontrámos, como deu em vir uma forte chuva e trovoada e existindo ali uma cubata abandonada logo aproveitá-mos para nos recolher um pouco, houve alguns mais cansados que aproveitaram as palhas existentes no chão, e vai dai, deitarem-se nelas, só que as palhas estavam cheias de carraças e foi ve-los a saltarem com pressa para sacudirem as ditas alguns tinham-nas num sitio que eu não digo, mas vocês já imaginam.

    Uma Caçada



  • Na Maria Fernanda, havia 1 grupo de voluntarios;

  • A caserna deles era ao fundo se me nao engano. Havia dois desses volontarios, com quem eu simpatizei um alto e magro, e um baixo e gordo; os nomes ja nao me recordo.
    O magro convidou me para ir com ele à caça, durante a noite seguiamos a picada que saia em frente direçao ao P.I. da missao; e a uns 800 metros ou talvez 1 Km, a frente viravamos a direita e ele acendia um farolim que levava na testa , andamos ate um charco de agua que havia no meio da mata.
    Eu tenho a impressao, que era uma fazenda de café, mas como era de noite e nao se via nada, nao estou seguro. ja bastante distante da picada, ele disse-me; para nao fazer barulho de repente disparou 3 tiros com 1 caçadeira a zagalotes, e matou 3 gazelas; nao 2 gazelas e 1 viado, que estavam a beber agua, porque dois cairam na agua; nao tinhamos armas, ele tinha a sua caçadeira, e eu apenas granadas no bolso, lá carregamos os animais as costas, e viemos para o quartel, pesados como o diabo, passamos a noite a arranjar, e a fazer as miodesas que comemos já de madrugada, tinhamos um bom vinho.
    Ao meio dia, voces foram comer à cantina, e a noite tambêm, mas eu fui comer com eles essas duas refeiçoes, convidamos dois camaradas, que a nao me recordo quem foram. Comemos bem, sobretudo, que foi nessa altura que nos andavamos a comer feijão com chouriço, à vários dia, em virtude de existir um problema de reabastecimento.
    O que me surpreedeu mais, foi a distância que andamos na mata desarmados, e ele nao tinha medo nenhum. Dizia com a gente nao ha perigo, e era verdade, ele era voluntario, mas eu nao, mas como era um amigo e eu ja estava farto do feijao com chouriço, fui com ele.

  •  

  • Morro da Pedra


     Tenho a lembrar aos camaradas,que quando contei a historia da operaçao ao morro da pedra, ou ao rio dange como disse 1 alferes da companhia,so contei ate ao sitio onde dormimos,o mesmo sitio onde ao outro dia os nossos 2 infelizes camaradas foram recuperados pelo helicoptero,porque quando se prendeu o trilho a esquerda entre o morro e o rio dange,ja nao era eu que ia a frente;eu tinha voltado para o meu 3 grupo em 2 ou 3 posiçao; e como os 4 ataques foram sempre para a secçao que ia a frente, eu ia ca atraz,nao vi nada.Apenas vi o rio a nossa esquerda,e o morro a direita em pedra.parecia o palacaça.era preciso contorna-lo pela parte de traz.E tambem nao me recordo qual era o grupo com quem eu ia a frente;so me recordo que o primeiro camarada que ia atraz de mim,era muito alto ;tambem tinha quase 2 metros como o furriel que nomiei numa outra historia.Foi bem alguem contar como se passou a frente nesse ultimo ataque;mesmo se os avions F16 ainda ninguem sabia se seriam fabricados 1 dia.Dois fiats e a artilharia,sim recordo-me.Esqueci me tambem de dizer, que ida, foi pela margem direita da cunha e irmao
    (Cont.)

    terça-feira, 28 de maio de 2013

    Carta ao Inimigo!



    O meu final de Comissão no Luatex e a Carta do Inimigo.
    Vou tentar ser omais preciso possivél e o menos fastidioso que possa para descrever este ultimo episódio.
    Como sempre e durante o tempo que passá-mos no Leste, Vila do Lumeje local do quartel da 1535 cabia á nossa Companhia fazer protecção e segurança a quatro Povoações da área da nossa abrangencia, passo a mencionar, a Leua, o Sandando, o Cassai e o Luatex, mantendo no caso das primeiras tres destacada uma secção, já no que se refere ao Luatex essa secção éra reforçada, lembro-me que aí tinhamos 12 atiradores um Radio Telefonista e o Furriel que nos comandava, tive a sorte de fazer todos estes Destacamentos sendo o ultimo o do Luatex, a Secção destinada foi a do Morteiro comandada Pelo furriel Selas eu integrei-a como reforço para completar o numero de activos necessário, até aqui tudo normal, mas quando fomos para o Luatex em meados de Março 1968 seria para ser-mos revesados no principio de Abril por outro grupo que deveria fazer o resto da Comissão pois estava prevista a rendição da nossa Companhia por nessa ocasião já termos acabado o nosso tempo de dois anos de Comissão e iriamos regressar á Metropole no dia 1 ou 2 de Maio como viria a acontecer, tudo corria dentro da normalidade até que no dia 27 de Março e na picada que ligava o Luatex ao Lumeje o 1º Grupo de Combate ao regressar ao de uma missão que tinha cumprido sofre dois ataques do inimigo estes ataques foram fortes e causaram grande mossa no Grupo com 3 Mortes que menciono no 1º ataque faleceu O Vitor Manuel Azevedo Castelo Branco e no 2º ataque O Joaquim José Capela de Cristo e O Celestino do Carmo Pereira além dum grande numero de feridos, no dia seguinte 28 de Março o 3º Grupo ao fazer um patrulhamento numa picada de acesso entre o Lumeje e o Luatex e ainda nas proximidades da Vila sofre outra embuscada e perdem a Vida O Alferes Pais e o Cabo Sipaio que por motivo que desconheço acompanhava as nossas Forças, entretanto e também a 27 de Março o inimigo desfere um forte ataque aos nossos Camaradas do mesmo Batalhão na zona do Dilolo e que infelizmente custou A Vida a tres Companheiros de Guerra, na mesma noite de 28 de Março o inimigo esteve no Luatex a cerca de 100 metros de nós digo isto porque o inimigo colocou na picada que saía do Luatex em dircção a Henrique Carvalho e como referi a uns 100m um pau espetado no chão com uma carta segura no dito pau para que nós ao avistá-la a fossemos recolher, o 1º a avistá-la devo ter sido eu que estava a fazer a guarda na frente da nossa caserna (faziamos 4 sentinelas um a cada canto da caserna) aquando do romper do dia eu e outro Camarada que fazia a sentinela na outra esquina da frente avistamos a dita carta num pau ao meio da picada chama-mos á atenção do Furriel Selas para saber o que fazer pois podia tratar-se duma cilada, então e bem O Furriel Selas mandou-nos proteger as linhas laterais da picada para que um Nativo fosse em segurança buscar a dita correspondencia do inimigo o que sucedeu sem incidentes, a carta éra dirigida a nós Soldadados com palavras de aliciamento para nos juntar-mos a eles dando indicação onde nos dirigir-mos e que seriamos bem recebidos, não nos tratavam mal apenas nos chamavam de soldados Salazaristas e que ao serviço deste Colonizador e ditador nos transformá-mos em assassinos, escrevo apenas o resumo da carta pois o texto da mesma era maior e não o recordo na integra, neste contexto de ataques visando as ligações Lumeje - Luatex que poderia ser fatal e já que estávamos a pouco tempo de vir embora para evitar expor qualquer Grupo a possiveis baixas não nos foram subestituir na nossa missão do luatex tendo assim aqueles que lá estávamos de prolongar o nosso tempo por mais duas semanas até á vinda da Nova Companhia que subestituia a nossa no final de Comissão, como tivemos que alongar o nosso tempo para alem do previsto não tinha-mos mantinentos suficientes pois cada secção levava as provisões ajustadas ao tempo de permanencia, como só levávamos géneros alimentares secos e durante o tempo de permanencia iamos aos Kimbos próximos comprar Galinhas Ou Cabritos para juntar aos produtos que possuiamos e assim ser possivel fazer uma refeição mais completa "abro aqui um parentise para reafirmar Comprar pois nos destacamentos feitos pelo meu grupo sempre negociamos com os Nativos a compra desses bens e recordo cada galina entre 5$00 e 7$50 e o cabrito entre 20$00 e os 25$00 conforme o tamanho, não sei se éra o valor justo ou se os Nativos acediam por respeito ou medo de forças armadas isso eu não sei julgar, mas compráva-mos, fiz esta mensão pois já li uma qualquer transcrição de quem não procedia dessa maneira o que lamento, talves pelo nosso procedimento nos tenham deixado uma carta em vez de nos atacarem penso que a vertente Social também produsia o seu efeito" retomo aqui o parágrafo anterior para dizer que em função dos riscos que corriamos e para poder-mos proteger a localidade que éra a primeira das funções destinadas deixamos de sair mesmo para ir ao Rio que ali passava perto tomar banho, sem poder-mos ir adquirir esses alimentos tivemos que nos manter até sermos substituidos apenas á base de Arros e Salsichas enlatadas que comendo com contenção lá deu para as duas semanas suplementares que tivemos que suportar até que veio a Nova Companhia para render a nossa e então com um Grupo da nossa Companhia e outro da nova Companhia e escoltados por dois Bombardeiros da Força Aerea lá saímos do Luatex rumo ao Lumeje saíndo desta situação dramática com vida para virmos para Luanda e regressar-mos á Metrópole no velho Navio Uíge que cá chegou a 13 de Maio de 1968 dia de Nosssa Srª de Fátima O meu Talismã que sempre me acompanhou

    António Anes de Azevedo Chegou-nos a informação pelos nativos que um grupo de guerrilheiros tinha entrado na nossa zona de intervenção e que queria lutar connosco. Recebemos ordens para fazer nomadismo com grupos de combate para eliminar esses terroristas. Foi assim que acabamos por nos juntar à secção destacada, aproveitando para recolher connosco ao quartel.

    Ao querer comprar as tais galinhas descobrimos que as aldeias tinham sido abandonadas pelos nativos, o que interpretei como sinal de proximidades de combatentes. Regressamos por um itinerário alternativo para despistar com os alertas necessários sabendo que iríamos ser atacados, como aconteceu e o Silva descreveu. No primeiro contacto abatemos um terrorista e apanhamos-lhe a arma. Nestas acções o primeiro pelotão ficou com muito poucos homens aptos. O alferes Pais foi a seguir com dois grupos de combate continuar a nomadização. Foram momentos bem difíceis por que passou a 1535.

    Operação Canacassala

    Operação especial – Canassala –, que durou oito dias, era necessário limpar a área entre a Beira Baixa e Nambuangongo, onde se começava a abrir a picada do Canacassala. Deixaram-nos na Beira Baixa e começámos a caminhar pelo trajecto onde iria ser aberta a nova picada. Fomos atacados logo no primeiro dia. Um dos guias ficou ferido. Pedimos apoio aéreo e continuámos. Ao fim do quarto dia, verificámos que o outro guia nos estava a enganar. Levava-nos para locais onde o capim era altíssimo. Não havia água e houve quem urinasse e, com um comprimido de Olozone, depois bebesse a urina.
     
     


    Manuel Silva No que diz respeito á operação na Mata Canacassala, acrescento que para mim foi terrivel a falta de água, com aquele calor tórrido do norte de Angola, levando um cantil de água que bebi no 1º dia e na manhã do 2º dia, havia a informação que pelo fim do 2º dia aparecia uma hipotética Ribeira ou Lago para nos reabastecermos desse liquido tão precioso, mas a realidade foi outra, não encontramos água nenhuma, eu comecei a sentir a insulação, no sitio em que nos deitámos para dormir a noite do 2º para o 3º dia existiam algumas Bananeiras, com o cacimbo da noite formavam-se bolhas de água nas folhas largas da Bananeira então logo que se começa a fazer dia eu tento dobrar as folhas da Bananeira e fazendo escorrer as bolhas de agua acumuladas tentei assim molhar a boca que já começava a ter espumas provocadas pela sede, iniciamos a nossa marcha do 3º dia andando á corta mato pois o nosso Comandante e bem, não queria que utilizássemos os trilhos do inimigo, sem aparecer água eu e mais Camaradas começamos a entrar em desidratação e ao fim desse 3º dia veio um Helicopetero reabastecer ração de Combate, ao verificar o meu estado O nosso Comandante pediu a minha evacuação, mas como já tinham sido evacuados uns quantos o Comandante da operação disse para o nosso Capitão que não devia perder mais efetivos ao que o nosso Capitão retorquiu, no estado que este rapaz está é melhor evacua-lo porque o estado em que está não oferece condições para continuar, Cabe-me aqui o Meu agradecimento Ao hoje Coronel Brito E Faro, pois eu já não tinha as mínimas condições, começava a entrar em estado de alucinação e quando cheguei á enfermaria de Nambuangongo e me deram água para beber isto após me terem injetado penso que uma grande seringa de Vitaminas e quando me queria tirar a água pois provavelmente devia dosear a quantidade a beber eu agarrei com as forças que tinha o copo e não queria que mo tirassem, este episódio foi-me contado por um Camarada que também tinha sido evacuado um pouco ante de mim, depois no 4º dia já não estava no terreno mas sei que os meus Camaradas ao avistarem um qualquer lago provavelmente de água da chuvas foram atacados por um enxame de abelhas que picaram tanto e os fez sofrer que nem um Cristo, eu lá fiquei em Nambuangongo até ter uma Coluna Militar que me trouxe-se de volta a Kicabo, o resto os que foram até ao fim sabem o mau bocado que passaram.


    Manuel Do Souto A operaçao,continuou. De manha,descemos o morro onde dormimos,e entramos numa lavra;1 camarada subio acima de 1 mamoeiro para apanhar mamoes maduros que estavam la em cima,mas depressa desceu para baixo porque a ponta do mamoeiro foi cortada por uma rajada;sinal de uma embuscada.la respondemos,e os turras levantaram.Eu creio que os turras estavam avigiar as duas partes au mesmo tempo,porque era perto de onde dormimos.Eu arranquei umas batatas de mandioca verdes e amargas como o diabo que meti na muchila com as raçoes de combate,e la me ajudaram a matar a sede.hoje, toda a gente sabe,que essas batatas verdes, sao toxicas.Nao houve vitimas;la cotinuamos direçao sul,vimos o capim deitado,e fomos ver se havia agua;nem ve-la;a tardinha,chegamos a uma mata,onde encontramos 1 kimbo com varias cubatas,e la dormimos.estavam abandonados;a unica que nao estava abandonada,havia la cassumbes(galinhas para quem nao se recorda).Au outro dia,la continuamos,mais ou menos na mesma direçao.la num certo sitio,encontramos 1 pequeno lago de agua,ou um pequeno charco;quando o avistamos,houve muitos camaradas,que saltaram para dentro,e começaram a bebera agua sem o comprimido;a agua estava podre,porque se via a surface da agua uma espuma branca,era como a la de ovelha;nao tardou muito que começaram a ter formigueiro na pele;era o sinal da agua podre;la teve o enfermeiro de se ocupar de alguns.Passado isto la continuamos,pela tarde,começamos a houvir tiros au longe;paramos e acampamos para passar a noite.Montamos tendas,mas houve uns camaradas que queriam dormir melhor, foram buscar um molho de capim que estava cortado,e deitado no chao;quando levantarm o capim,tiveram de correr,porque debaixo desse capim havia um enchame de abelhas selvagens.Tivemos de fugir para longe,e houve alguns camaradas que fugiram e abandonaram as armas.Houve 1 ou 2 camaradas, que pediram para os matarem tam desesperados estavam com as abelhas;como ja era noite,as armas so foram recuperadas au outro dia.Durante toda a noite,o tiroteio au longe continuou, mas nao para nos.Eu creio que era uma companhia que andava a abrir uma picada,mas nao estou certo.Au outro dia arrancamos direçao poente,ate sermos recuperados para voltar a kicabo. Como nao me recordo do sitio onde fomos recuperados pelas viaturas,peço a quem souber,para acrescentar o sitio aqui na historia.E se se lembrarem de mais alguma coisa,acrescentem,ou retifiquem. 



    Manuel Do Souto Bravo silva por este comentario;Eu tambem nunca esquecerei esse dia.Nesta operaçao, houve de tudo;1 ataque no fundo de uma lavra,1 charco de agua estragada ou envenenada em que 1 terço da companhia ficou logo doente;e 1 ataque de abelhas selvagens,em que alguns camaradas tiveram de fugir,e vir mais tarde recuperar as armas.au longe, houviam-se tiros dos turras para outra companhia,que nao me recordo o que faziam la.Uma picada?Um posto de segurança?Nao sei
     

    Manuel Do Souto O comentario do Alferes Vacas,refere-se a operaçao au morro da pedra.Nao confundir com o morro da pedra verde.O morro da pedra verde avista se da picada cachito zala a esquerda.O morro da pedra foi P.I.da missao,margem direita da cunha e irmao,e margem direita do rio dange,para os que esqueceram
     


    Manuel Silva Souto o comentário refere Morro da Pedra, e não Pedra Verde, por isso está correto, já agora aproveito para te avivar a memória quanto ao sitio da Pedra Verde fica na Estrada que liga o Caxito ao Quitexe e a Carmona neste sentido do lado direito depois de passar o Úcua, se eu errar peço que me corrijam, um Abraço
     


    Elisio Nunes recordo que a malta depois de beber a água do pantano era só vomitar quem não pos as pastilhas dentro da água depois subimos ao morro ande avistamos e ouviamos no outro quartel eram atacados quando isso acontecia havia um turro que nos enviava uns tiros que passavam por cima de nós. Mas antes de subir fomos atacados pelo enxame de abelhas .fujimos deixanda mesmo as armas que tivemos de recoperalas depois No uotro dia andavamos com a cara inchada das picadelas


     


    Manuel Do Souto Foi a pior operaçao que eu fiz com falta de agua,essa onde o Silva ficou doente;e outros camaradas tambem,com essa agua podre que encontramos,ainda pior.Eu mesmo assim,ainda aguentei ate au fim;mas nao me perguntem como,porque nao serei responder.Ainda bem, que na lavra onde fomos atacados antes ante de sobirmos o morro onde dormimmos arranquei umas mandiocas frescas que meti na muchila,ou saco da raçoes de combate,e como ainda estavam verdes,tenho a empressao que foi o que me salvou da sede.Para saber a verdade,temos de fazer outra patrulha,e apanhar as batatas da mandioca verdes;depois ja saberemos a verdade.Estou a REINARcamaradas.mas a mandioca verde, foi verdade que as apanhei depois da embuscada ter terminado;a lavra estava cheiade mandioca, e papaia,ou mamões.