Dois Natais passados na Guerra
É NATAL
Dois Natais passados na guerra.
Vou aqui deixar expresso o que foram para mim e outros como eu, as Consoadas que lá passámos.
Em 1966 passei a consoada na Fazenda Margarido tinha-mos sempre la uma secção reforçada para fazer protecção, a comida de sempre com umas iguarias oferta da casa do Capatáz da Fazenda, mas nada alegrava o meu subconsciente, pois dois dias antes perderam a Vida Camaradas da 1535 e 1537 e no dia 24 Faleceria O Bravo vitima de ferimento em Combate no dia 22, tinha por Ele uma grande amizade.
No dia 24 de Dezembro, vem-me sempre á memória, não só ele mas também O Praxedes, que tombou dia 22/12/1966 e ainda um Camarada da 1537, do qual me lembro do alcunha O Algarvio. Rapaz forte, que foi vitima duma mina que O reduziu a quase nada, ajudei a efectuar a mudar os restos do seu corpo, do helicopetero para uma avioneta, que fez esta troca na pista da Fazenda Margarido. Eu podia com os restos Mortais do Algarvio (peço desculpa por tratar pelo alcunha mas) foi assim que sempre O Chamámos enquanto estivemos em Quicabo, assim foi um Natal muito triste.
No Natal de 1967 passado no Lumeje aqui tivemos uma passagem caricata.
Vou mencionar, nesse dia, estava de serviço o 3º ou o 4º Grupo de combate, não me recordo qual, mas sei que foi um destes dois. Então o grupo de serviço pôs as mesas para o jantar de forma discriminatória para o 1º e 2º Grupo de Combate, as mesas foram postas como nos dias normais, mas para o 3º e 4º Grupo colocaram nas mesas lençois como toalhas, animaram as mesas destes dois grupos com as Iguarias que as Pessoas Civis da Vila tinham oferecido. Como obrigatório á hora para o Jantar lá formá-mos em frente do Refeitório, quando reparámos na acção praticada pelo Grupo de serviço, eu e Os meus Camaradas do 1º Grupo passámos a palavra, e não aceitámos ir jantar ao Refeitório, no que fomos seguidos por alguns elementos do 2º Grupo, e pelo Sargento Moisés, que achou que nós tinha-mos toda a razão. O Alferes Azevedo, Comandante do nosso grupo ainda nos veio dizer á Formatura que não levásse-mos a mal a Sua ausência no Jantar porque estáva de Luto, pois tinha perdido O Seu Pai recentemente, pediu-nos para reconsiderar, mas nada nos demoveu contra esta impensada acção do Grupo que estáva de seviço, fomos á cozinha pedimos o comer que nos pertencia e fomos comer para dentro da nossa Caserna, após o Jantar o meu Grupo pegou nas Armas, Formou e comamdado por um Sargento saiu do quartel como se um serviço se tratasse, e fomos até á pensão que existia na Vila, e á hora de recolher lá regressá-mos formados ao Quartel.
Hoje que estou maduro acho piada ao que se passou mas naquele dia 24/12/1967 não gostá-mos nada da atitude que o grupo de srviço tinha feito.
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