26 de
Dezembro de 1966
Quando
se substituíam as munições dos carregadores e se limpavam convenientemente as
armas, um soldado deixou disparar, fortuitamente, a sua arma.
A
rajada matou três, e feriu mais cinco soldados.
Na
enfermaria do Batalhão, os moribundos expiraram, os feridos gemeram e um dos
médicos tentou, desesperadamente, reanimar um dos moribundos, em respiração
boca-a-boca.
Indiferente
à tragédia, num pequeno transistor, cantava-se o velho fado:
"Quando
foram dizer à pobre mãe que o filho, lhe morrera lá na guerra..."
Um mês
mais tarde, nos finais de Janeiro de 1967, para atacarem o mesmo objectivo do
N'Galama-Piri, foram empenhadas:
13
Companhias de Atiradores;
1
Companhia de Paraquedistas;
1
Bateria de Artilharia 8.8;
Apoio
Aéreo ao solo, assegurado com três parelhas de F-84 e várias parelhas de T-6.
O
objectivo, suficiente para um pouco mais de uma dezena de homens, foi atacado,
assim, por mais de mil e quinhentos homens.
Disseram
os jornais da época ter sido um grande sucesso militar!
Nota
do Autor:
– O
diário do capitão, amareleceu e perdeu a pouca importância que alguma vez possa
ter tido. Foi esquecido. Depois foi deitado ao lixo. Os herdeiros do capitão
não gostavam de guerra e muito menos de África.
Oito
anos mais tarde as armas mortíferas dos colonialistas, depois da "retirada
a pé descalço" que foi a "exemplar descolonização", foram
entregues aos nacionalistas. Serviram para que se matassem, uns aos outros,
mais a cubanos e sul-africanos que entraram nas intermináveis batalhas, e que,
décadas mais tardes, permitiram que continuasse a guerra civil.
Uma
das folhas deste diário serviu para acondicionar e depois embarcar um dos
milhares de caixote de munições que estavam a ser exportadas. Não se sabe, se
para uma das muitas guerras nos países soberanos de África ou se para os cacos
ensanguentados do que ficou dos povos desbaratados da Jugoslávia.
Aqui
bem perto:
– Na
Europa.


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